A competência incomoda o “sistema”. De que lado você está?

A competência incomoda o “sistema”. De que lado você está?

Em tempos de Lava Jato, onde vemos o juiz Sérgio Moro aplicando duríssimas penas, cumprindo seu papel de forma extraordinária, fazendo valer a justiça e “lavando a alma” dos brasileiros, ainda escuto recriminações:  “Ele está se exibindo”, “quer aparecer nos holofotes”, “prisões midiáticas”… tirando o brilho das decisões. Em pouco mais de 1 ano, concretizou 57 condenações de pessoas investigadas. Por que isso? Qual o objetivo em desqualificar a competência do juiz? Pensando nisso, observei algo no mínimo estranho… 

A competência incomoda o sistema!  Mas… como assim? Eu explico.

Segundo a Wikipédia, sistema é o conjunto das instituições… de uma sociedade, a que os indivíduos se subordinam… com leis silenciosas que comandam as ações de todos que o integram. Muitas vezes a competência atrapalha, pois evidencia a INcompetência de outros. Para exemplificar, vou contar uma situação real que vivenciei no passado.

Quando eu era estudante de medicina, estagiei no Hospital Miguel Couto, um hospital de grande porte que recebe muitas emergências.  Ficávamos atendendo os pacientes que chegavam, supervisionados por um médico residente (médico recém-formado), enquanto que os staffs (médicos mais experientes) e o chefe do plantão ficavam na sala dos médicos, orientando os casos mais agudos e assumindo os mais graves. Os staffs só atendiam pacientes quando eram solicitados.

medico - competencia

Um dia chegou um médico recém empossado por concurso público (vimos que era “novo no pedaço” pois estava impecavelmente arrumado, cheiroso e com cabelo brilhante de gel), se apresentou a nós, alunos e residentes, colocou sua pasta de lado, literalmente “arregaçou as mangas” e começou a atender à população. Com muita experiência, soube triar os pacientes ambulatoriais (sem gravidade) dos pacientes que precisavam ser atendidos primeiro e rapidamente a fila desapareceu!  Ficamos encantados, pois em pouco tempo e com muita competência soube lidar com o povo e todos ficaram felizes. A equipe não cabia em si de tanta satisfação de ter um novo membro bem disposto, competente e com vontade de realizar. “Agora os plantões seriam diferentes”, cheguei a pensar.

Mas como diz o ditado… “alegria de pobre dura pouco”.

Assim que souberam que havia um novo médico na equipe, rapidamente os staffs saíram da sala dos médicos e foram cumprimentar o colega. Vi que o chefe foi conversando com ele e “puxando” para um canto para falar algo. Segui os dois e escondida, pude ouvir o chefe falando que “pegava mal” ele ficar atendendo na emergência, enquanto que todos os staffs ficavam na sala dos médicos; que poderia “parecer” que ninguém queria trabalhar, que ele deveria ficar na sala junto com os outros.

Indignada, corri a contar aos meus colegas que como eu, ficaram revoltados. Além de não quererem trabalhar com o povo, ainda estavam colocando o recém-chegado numa saia justa. Para não gerar conflito na chegada, o novato se resignou a acompanhar os outros staffs na sala de estar, entre um cafezinho e outro, ver a TV ou conversar sobre assuntos do meio médico.

Vez ou outra, víamos ele rondando as salas da emergência, “louco” por trabalhar, de exercer as atividades para as quais havia sido contratado; o desejo de lidar com o paciente estava estampado nos olhos, juntamente com a frustração de ter o seu direito (e dever) de trabalhar limitados. Como não queria confusão com a chefia imediata, acabou aderindo ao sistema e começou a agir como todos – o sistema venceu!

Esse episódio foi muito marcante e até hoje me faz refletir sobre o assunto.

Ter competência significa possuir habilidades e atitudes compatíveis com a tarefa e ser capaz de colocar esse potencial em prática no momento certo.  Para mim, ser competente é algo mais… significa ter coragem para se posicionar e defender convicções, pois é muito mais fácil aderir ao que já existe do que lutar por suas ideias e crenças.

Enfim, por tudo que li e aprendi sobre o tema, digo que competência é o conjunto de CONHECIMENTOS (saber), HABILIDADES (saber fazer) e ATITUDES (motivação, satisfação, comprometimento). Sem um desses itens, a conta não fecha.

E agora, diante de tudo que foi apresentado, de que lado você está?

Boralá refletir?

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Margareth de Sá

Master Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching.

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